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sexta-feira, 23 de março de 2018

Resenha | Assassinato no campo de golfe, de Agatha Christie



SINOPSE
Uma carta de um desconhecido, com um pedido de socorro, leva o detetive belga Hercule Poirot e seu ajudante Hastings à França, em busca de respostas para uma série de perguntas. Qual seria a relação entre os dois assassinatos cometidos com um intervalo de mais de 20 anos? Qual a ligação entre a mulher de um misterioso milionário e sua amante? Qual a conexão entre um fio de cabelo, uma espátula ensanguentada, um cano de chumbo e um campo de golfe?
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Na trama, Hercule Poirot recebe uma carta de um milionário francês solicitando ajuda, pois acredita que sua vida corre perigo. Porém, quando o detetive chega à casa, é tarde demais. Mr. Renauld foi assassinado. Seu corpo foi encontrado no campo de golfe inacabado que fica na propriedade. Os principais suspeitos são membros da família e vizinhos.

Enquanto tenta descobrir o que, de fato, aconteceu na mansão, Poirot ainda tem que lidar com a arrogância e soberba do detetive francês Giroud, cujos métodos investigativos diferem muito daqueles utilizados por ele. Como se isso ainda não bastasse, seu velho amigo Hastings apronta uma das boas para cima dele. Ser Hercule Poirot nesse livro não é uma tarefa fácil! kkkkkkk

Sendo bem sincera, não me envolvi com a história desse livro. Os personagens são bem insossos, assim como o crime e o mistério envolvido. Alguns personagens me irritaram profundamente com suas atitudes, principalmente Hastings, que estava particularmente idiota nessa trama. Achei a narrativa arrastada e com reviravoltas desnecessárias. Resumindo: o livro durou mais do que devia.

Mesmo assim, gostei da leitura. Acho que nunca aconteceu de eu detestar um livro da Agatha Christie, mas este, com certeza, poderia ter sido melhor. Algumas pessoas, em resenhas, comentaram que é melhor ler primeiro O misterioso caso de Styles, já que Assassinato no campo de golfe faz muitas referências a esse livro. Eu não segui a recomendação e não acho que isso tenha me atrapalhado; no entanto, se você puder seguir a ordem, provavelmente será melhor kkkkkkkk.

Até a próxima!
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INFORMAÇÕES GERAIS:
Título da obra: Assassinato no campo de golfe
Autor(a): Agatha Christie
Ano da edição lida: 2014 
Editora: Globo Livros
Páginas: 296
Classificação: 
✯✯✯✯✯ (3,5!!)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Resenha | Baratas, de Jo Nesbø



SINOPSE
Em Bangkok, para cada barata que se vê, há pelo menos dez escondidas, à espreita.
Em Bangkok, para cada segredo revelado, há pelo menos dez que continuam nas sombras.
Uma prostituta encontra o corpo do embaixador da Noruega em um hotel barato nos arredores de Bangkok. O assassinato desperta o interesse do Ministério das Relações Exteriores da Noruega, que deseja ver as investigações concluídas da forma mais discreta possível, a fim de evitar um escândalo político. Harry Hole é enviado para ajudar a polícia local, mas aparentemente ninguém que estava envolvido com Molnes em Bangkok quer colaborar. E, quando outros crimes acontecem na cidade, Harry tem certeza de que algo muito perverso está por trás de tudo.
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Para ser bem sincera, eu não estava esperando muita coisa desse livro. Eu só queria não me irritar demais com Harry Hole, que em O Morcego me tirou do sério. Não lembro se já comentei por aqui, mas tenho RANÇO daquele clichê dos policiais protagonistas que vivem para desrespeitar regras, possuem algum tipo de trauma pessoal/profissional muito louco que enche páginas e mais páginas com o puro tédio, que odeiam a vida, o universo e tudo mais - principalmente os psicólogos - e passam a trama inteira fazendo cagada ao invés de resolver o caso. Harry Hole é um desses tipos, mas felizmente ele "toma jeito" em Baratas.

Como a própria sinopse adianta, o embaixador da Noruega é encontrado morto num hotel barato (leia-se motel) em Bangkok. Harry Hole é enviado à Tailândia a pedido do Ministério das Relações Exteriores da Noruega para tentar abafar o caso (pra vocês verem como treta e maracutaia política existe em qualquer lugar). Em parceria com a polícia local, Hole vai descobrindo muitas coisas obscuras e é alertado a ficar em silêncio (o que, obviamente, ele não cumpre, mas nesse ponto concordo com ele!!!).

Em primeiro lugar, falemos sobre o protagonista. Quem já leu algum outro livro com o detetive Harry Hole já sabe que ele tem um problema seríssimo com a bebida. Sim, ele é alcoólatra. Meu receio era que em Baratas o autor perdesse muito tempo descrevendo as bebedeiras do policial e se esquecesse da trama, mas felizmente isso não aconteceu. Hole ficou focado na maior parte do tempo, embora tenha cometido deslizes bobos que me deixaram um pouco irritada. O cara não é principiante, né? Tem certas coisas que acontecem só para render mais página mesmo, fala sério...

Quanto aos demais personagens, gostei bastante dos policiais tailandeses, especialmente de Liz, a responsável pela Homicídios de lá. Quanto aos noruegueses, achei quase todos meio esquisitos. Não gostei de vários, fiquei indiferente a outros e gostei só de uns poucos. O ambiente tailandês foi muito bem descrito, consegui sentir o calor, a poluição, o barulho dos carros etc. Foi como se eu estivesse lá, achei bem bacana.

Quanto ao crime e ao assassino, Jo Nesbø já escreveu coisa melhor, como Boneco de Neve, por exemplo. Baratas é o segundo livro da série Harry Hole, então é provável que ele ainda não tivesse amadurecido sua escrita. O "vilão" desse livro é um perfeito idiota, parecia uma criançona mimada; estava mais para bobo da corte do que criminoso. A trama política é bem interessante, mas fiquei um pouco desconfiada dos motivos para os assassinatos; achei forçado em alguns aspectos.

Para concluir, Baratas é um bom livro policial e recomendo a leitura. Claro que poderia ser melhor, mas já fico muito feliz por Harry Hole não ter me irritado tanto. Jo Nesbø é um autor muito criativo, mas tem tendência a se atrapalhar nos desfechos dos crimes, tanto nas motivações quanto na caracterização do assassino. Mas como AMEI Boneco de Neve, tenho fé de que tudo isso melhora nos próximos livros da série!

Até a próxima!
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INFORMAÇÕES GERAIS:
Título da obra: Baratas
Autor(a): Jo Nesbø
Ano da edição lida: 2016 
Editora: Record
Páginas: 348
Classificação: ✯✯✯ (3,5!!!)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Resenha | Os 13 problemas, de Agatha Christie


SINOPSE
Mistérios sem solução. Fatos verdadeiros, prosaicos e que ninguém jamais conseguiu explicar. É com o objetivo de discutir esses casos que estão no limiar do entendimento humano que surge o Clube das Terças-Feiras, um grupo eclético formado por um escritor, uma artista, um sacerdote, um ex-comissário da Scotland Yard e um procurador. O sexto elemento do grupo é na verdade a dona da casa onde acontecem as reuniões. Seu hobby é o tricô, mas enquanto trabalha com as agulhas, Miss Marple ouve cada relato com atenção. Aparentemente o dia a dia no pacato vilarejo de St. Mary Mead lhe trouxe certa experiência de vida para resolver mistérios que aos olhos comuns parecem não ter solução.
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Os 13 problemas é um livro protagonizado por Miss Marple e "dividido" em três partes (não é uma divisão formal). Na primeira parte, seis pessoas se reúnem na casa de Miss Marple e formam o Clube das Terças-Feiras; em cada reunião, um dos membros deve contar uma história, da qual já sabe o desfecho, para que os demais tentem adivinhar o que de fato aconteceu. Na segunda parte, Miss Marple é convidada para jantar na casa dos Bantry e a dinâmica se repete: cada um conta uma história e os demais tentam resolver o mistério. Na terceira parte, Miss Marple procura Sir Henry Clithering, ex-comissário da Scotland Yard que estava presente nos outros eventos, para lhe ajudar a resolver um crime recente: ela tem certeza de quem é o culpado e teme que uma pessoa inocente seja injustamente acusada, portanto, a missão de Clithering é investigar o caso.

O livro é curtinho e as histórias acabam muito rápido; muitas delas são realmente interessantes. O mais legal é que todo mundo desconfiava das capacidades dedutivas de Miss Marple, mas ela deu um baile e colocou todo mundo no bolso!

Embora Os 13 problemas não seja o melhor livro da autora, ele mostra o quão versátil ela pode ser dentro da ficção policial. Se você gosta do gênero e está a procura de algo rápido e descontraído, esta obra é ideal! Mas se você procura algo complexo, com interrogatório, reviravoltas etc., esse título não é uma boa pedida (mesmo assim, recomendo que leia em algum outro momento kkkkk).

Até a próxima, pessoal!


Informações gerais 
Título da obra: Os 13 problemas
Autor(a): Agatha Christie
Ano da edição lida: 2015
Editora: L&PM
Páginas: 256
Classificação: ✯✯✯✯✯

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Resenha | Os cinco porquinhos, de Agatha Christie


SINOPSE
A jovem Carla Lemarchant procura Hercule Poirot em busca de ajuda. Seu pai, Amyas Crale, pintor famoso, foi envenenado e sua mãe, Caroline, julgada e condenada pelo crime, morreu na prisão pouco depois. Antes de morrer, Caroline deixou uma carta endereçada à filha, na época ainda uma criança de 5 anos de idade, onde afirma a sua inocência. A jovem agora pretende casar mas, antes disso, quer provar a inocência da mãe. Hercule Poirot aceita a missão e limita sua investigação aos cinco suspeitos mais prováveis, a fim de desvendar um crime acontecido 16 anos antes, com base apenas nos relatos dos envolvidos.
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Mas, gente, como é que pode solucionar um crime que aconteceu há 16 anos se as únicas evidências são os relatos dos envolvidos??? Essa Agatha Christie, rainha absoluta do crime e diva maior, tá tirando onda com a minha cara!!! :(

Escolhi esse livro porque estava com vontade de ler alguma coisa no Kindle, pois cansa ficar passeando com livro físico pra lá e pra cá (infelizmente não estou sendo paga para fazer publicidade deste e-reader belezinha, hauehuaheuhauehuaheua :D). Calhou que esta obra estava no Kindle Unlimited e, sendo da Agatha Christie, eu não poderia recusar (óbvio). Achei a premissa interessantíssima e fiquei muito curiosa para ver como o caso seria resolvido.

Na trama, Amyas Crale, um pintor famoso, foi envenenado em sua casa. Sua esposa, Caroline, foi condenada pelo crime sem a menor chance de defesa. Dezesseis anos depois, a filha do casal - Clara Lemarchant -, prestes a se casar, resolve contratar Poirot para solucionar o caso, uma vez que ela tem certeza de que a mãe é inocente. No dia do assassinato estavam presentes Phillip e Meredith Blake, amigos do casal; Angela Warren, irmã de Caroline; Cecilia Williams, professora de Angela; e Elsa Greer, amante de Amyas e modelo de seu mais recente quadro (não, você não leu errado, Amyas Crale colocou no mesmo teto esposa e amante, porque ele era desses (um canalha)). Diante das circunstâncias, Poirot resolve que vai entrevistar todo mundo que possa ter uma lembrança dos acontecimentos, principalmente as cinco pessoas envolvidas.

Nessa parte, confesso, o livro fica um pouco maçante, pois ele conversa com todos que estavam presentes no dia do crime e eles contam praticamente a mesma história (claro, sob pontos de vista específicos e com alguns detalhes diferentes, mas no geral era tudo a mesma coisa). Além disso, em outra parte temos as cartas que eles escrevem ao detetive, a pedido deste, contando a mesma história (nesse caso, a opinião deles sobre os acontecimentos fica mais explícita, mas não deixa de ser repetitivo, né?). Mesmo sendo cansativo, isso não tira o suspense da obra; confesso que toda hora eu desconfiava de uma pessoa diferente, mas no fim, o assassino era a única pessoa de quem eu não tinha desconfiado. Vejam só vocês que fracasso eu seria como detetive! :'(

O desfecho, na minha opinião, foi realmente bom. Conforme Poirot ia explicando os acontecimentos daquele dia, eu lembrava dos relatos e pensava: "Putz, como não reparei nisso? Tava na cara!". Sensacional. Recomendo para todo mundo que gosta do gênero. Com certeza um dos melhores livros que já li da autora.

Obs.: uma coisa que me incomodou um pouco (bastante) na leitura foi a justificativa de que as constantes traições de Amyas Crale eram plenamente justificáveis porque ele era um artista!!! UÓT??? Minha mente já projetava vários discursos feministas enquanto eu lia a obra. O livro poderia ter sido escrito há duzentos milhões de anos antes de Cristo e eu, ainda assim, não seria obrigada a aguentar esse tipo de argumento sem xingar mentalmente. (foi só um desabafo, desculpa)

Até a próxima, pessoal!


Informações gerais 
Título da obra: Os cinco porquinhos
Autor(a): Agatha Christie
Ano da edição lida: 2014
Editora: Globo Livros
Páginas: 296
Classificação: ✯✯✯✯

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Resenha | Três ratos cegos e outros contos, de Agatha Christie


SINOPSE
Nos nove contos reunidos neste livro, Agatha Christie dá as pistas de por que ela fascina gerações de leitores ao redor de todo o mundo. Publicado pela primeira vez em 1950, o livro é uma preciosa amostra do estilo da autora, com sua precisa caracterização das personagens, indícios sendo displicentemente deixados para que o leitor se confunda e a presença marcante de seus mais queridos protagonistas: o excêntrico detetive belga Hercule Poirot e a simpática velhota miss Jane Marple.
O conjunto das histórias pode ser lido como uma espécie de mostruário das diversas facetas com as quais Agatha consegue trabalhar. Se em “Uma estranha charada” a resolução do enigma pode levar a uma misteriosa fortuna, em “Os detetives amorosos” vemos um caso de paixão arrebatadora.
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Uma sombra passou pela janela, e ela saltou - um estranho estava chegando através da neve. Ela ouviu o rangido da porta lateral. O estranho ficou parado na passagem aberta, sacudindo a neve da roupa. Era um homem estranho, entrando na casa vazia. (Três ratos cegos, posição 117)

- Muito sábio da parte dele - disse Miss Marple. - A depravação da natureza humana é inacreditável. (Uma estranha charada, posição 1238)

Três ratos cegos e outros contos é, como o próprio nome já sugere, um livro de contos (brilhante comentário esse meu!). Aqui temos Miss Marple, Hercule Poirot e outros 'investigadores'. Os títulos presentes no livro, são:

1. Três ratos cegos (Outros)
2. Uma estranha charada (Miss Marple)
3. O crime da fita métrica (Miss Marple)
4. O caso da empregada perfeita (Miss Marple)
5. O mistério da caseira (Miss Marple)
6. O apartamento do terceiro andar (Hercule Poirot)
7. A aventura de Johnnie Waverly (Hercule Poirot)
8. Vinte e quatro melros (Hercule Poiroit)
9. Os detetives do amor (Outros)

Destes, os meus preferidos foram Três ratos cegos, O apartamento do terceiro andar e A aventura de Johnnie Waverly. Infelizmente, eu já tinha lido recentemente todos os contos de Miss Marple (que estão presentes no livro Os últimos casos de Miss Marple), portanto, minha experiência com essa obra não foi tão proveitosa quanto eu gostaria. Tirando essa pequena inconveniência, Três ratos cegos e outros contos é um livro muito rápido de ser lido e algumas histórias são interessantes, prendem a nossa atenção. Agatha Christie não precisa de muitas páginas para colocar suspense e muitas dúvidas em nossa cabeça, seja com histórias simples ou complexas. O conto que dá título ao livro é ótimo!!!

Embora eu tenha gostado da leitura, acredito que a autora possua coletâneas de contos melhores do que essa. O livro vale a pena principalmente por causa do primeiro conto - Três ratos cegos - que, como já comentei anteriormente, é muito bom; há um clima de tensão e suspense que deixa o leitor o tempo todo alarmado. Para quem quer ter um breve contato com os textos dela antes de se aventurar pelos seus romances mais complexos, essa obra pode ser uma boa opção.

Até a próxima, pessoal!


Informações gerais
Título da obra: Três ratos cegos e outros contos
Autor(a): Agatha Christie
Ano da edição lida: 2014
Editora: Globo Livros
Páginas: 272
Classificação: ✯✯✯

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Resenha | Echo Park, de Michael Connelly


SINOPSE
Echo Park é o décimo segundo romance em que Michael Connelly apresenta Harry Bosch, um detetive experiente, obcecado pelos crimes que investiga. Desta vez, Harry é assombrado por um fantasma. Um fantasma que o perturba há treze anos.
Em 1993, ele investiga o desaparecimento da jovem Marie Gesto, que, após ser vista indo ao supermercado, nunca mais foi encontrada. Como vestígio, apenas seu carro com algumas de suas roupas e compras dentro. Por mais que tenha lutado para descobrir seu paradeiro, Harry não conseguiu concluir a investigação, que passou a figurar na lista da delegacia de Casos Abertos / Não Resolvidos. Agora o detetive veterano vislumbra a chance de poder, finalmente, desvendar o mistério que o martirizou por tanto tempo.
Raynard Waits é um homem acusado de matar e esquartejar duas pessoas, mas existem suspeitas de que ele também tenha cometido outros nove assassinatos. Entre eles, o de Marie Gesto. Mas ele pretende propor um acordo à Justiça para escapar da pena de morte. Em troca da atenuação de sua pena, o réu mostraria onde estão os corpos das nove pessoas desaparecidas e assassinadas por ele.
A partir daí, Harry Bosch terá que enfrentar inúmeros desafios, um após o outro. Precisará estar próximo do homem que talvez seja o culpado por tantos anos de agonia e dúvidas, provavelmente o inimigo mais sádico e perigoso que tenha encontrado em toda sua vida. E ainda terá que conviver com a culpa por ter ignorado uma pista que poderia ter concluído o caso ainda em 1993, evitando a série de assassinatos que se seguiu.
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- A pequena raposa espera - disse Bosch. A jovem raposa espera. O trapaceiro espera.

Embora Echo Park seja o décimo segundo livro com o detetive Harry Bosch, este foi o primeiro que li. Como o caso apresentado tem começo, meio e fim, não senti falta dos livros anteriores, exceto por alguns detalhes da vida pessoal de Bosch, mas nada que atrapalhasse a leitura.

Na trama, o policial da seção de Casos Abertos/Não Resolvidos tem a possibilidade de resolver um caso que o atormenta há anos: o assassinato de Marie Gesto, cujos restos mortais nunca foram encontrados, apenas seu carro com suas roupas meticulosamente dobradas. E como se dá essa resolução? O suposto assassino, pego com a boca na botija num caso de esquartejamento duplo, resolve confessar alguns crimes para atenuar sua pena - de pena de morte para prisão perpétua -, e dentre eles consta o assassinato de Marie Gesto. O psicopata propõe, inclusive, levá-los ao local de desova do corpo. Mas o caso não é tão simples quanto parece e Harry Bosch se verá no meio de uma conspiração para tirá-lo da jogada.

Li esse livro em novembro de 2016 e lembro que gostei bastante. Mas refletindo sobre ele agora, justamente para escrever esta resenha, percebi que é uma obra que não tem nada demais (isso não é necessariamente ruim, pelo menos na minha opinião). O protagonista é muito impulsivo (nas horas mais impróprias) e, no final, tem uma atitude de caráter meio duvidoso, mas mesmo assim eu gostei dele. O mistério é envolvente e tem bastante ação, como todo livro policial que se preze deve ter. Os capítulos não terminam de forma arrasadora, mas mesmo assim bate aquela curiosidade para saber o que vai acontecer em seguida. Isso se deve ao fato de que a narração é muito fluida, não tem tanta enrolação.

Apesar de não ser um super hiper mega ultra power livro policial, ele é bom (e pra mim isso já é o suficiente, uma vez que amo histórias desse tipo). Gostei bastante da leitura, mas não sei se foi o suficiente para querer ler outros livros do autor. Caso você já tenha lido algum outro trabalho de Michael Connelly e gostado, por favor, me deixe uma indicação nos comentários :)

Até a próxima, pessoal!


Informações gerais
Título da obra: Echo Park
Autor(a): Michael Connelly
Ano da edição lida: 2010
Editora: Objetiva (Ponto de Leitura)
Páginas: 469
Classificação: ✯✯✯

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Resenha | Bom dia, Verônica, de Andrea Killmore


SINOPSE
Em Bom dia, Verônica acompanhamos a secretária da polícia Verônica Torres que, na mesma semana, presencia de forma chocante o suicídio de uma jovem e recebe uma ligação anônima de uma mulher desesperada clamando por sua vida. Com sua habilidade e determinação, ela vê a oportunidade que sempre quis para mostrar sua competência investigativa e decide mergulhar sozinha nos dois casos. No entanto, essas investigações teoricamente simples se tornam verdadeiros redemoinhos e colocam Verônica diante do lado mais sombrio do homem, em que um mundo perverso e irreal precisa ser confrontado.
Andrea Killmore compõe thrillers como os grandes mestres e sua experiência de vida confere uma autenticidade que poucas vezes encontramos em suspenses policiais, vibrante e cruel - como a realidade.
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Já dizia aquele velho ditado: "quem é vivo sempre aparece" :)

Quero começar essa postagem desejando a todos um FELIZ 2017! Que este novo ano seja muito maravilhoso e especial para todos nós!

Sei que tive longos momentos de sumiço em 2016 e peço imensas desculpas por isso, mas sofri bastante com ressaca literária e bloqueio de escrita, ou seja, fiz muitas leituras com pouca qualidade (os livros, em sua maioria, eram bons, o problema era a minha dedicação ao lê-los, que foi péssima) e não tinha inspiração/vontade para escrever resenhas. Que 2017 seja bem mais produtivo nesse aspecto.

Sem mais delongas, vamos ao que realmente importa: a resenha de hoje! kkkkk Trago para vocês o livro Bom dia, Verônica, de Andrea Killmore.

Andrea Killmore é o pseudônimo de uma autora nacional cuja verdadeira identidade é desconhecida. Antes de se tornar escritora, ela era uma pessoa importante da polícia. Após trabalhar infiltrada num caso e sofrer uma perda pessoal, precisou adotar uma nova identidade. Resumindo: ninguém sabe nada sobre ela. Preciso confessar que todo esse mistério sobre a autora acaba influenciando positivamente na trama, pelo menos para mim, pois você fica sem saber se os fatos descritos são ficção, realidade ou um pouco das duas coisas.

Era o primeiro dia do fim da minha vida. (p.11)

A obra conta a história de Verônica Torres, uma secretária do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo. No que parecia ser mais um dia normal de trabalho, ela presencia o suicídio de Marta Campos, uma mulher fragilizada que havia ido à delegacia denunciar um golpe que sofreu através da internet. Verônica, indignada com o pouco caso que seu chefe fez do caso, resolve descobrir sozinha quem foi o responsável pelo golpe e fazer justiça, ainda que póstuma, à vítima. Pouco tempo depois, recebe uma ligação anônima, na qual uma mulher afirma que seu marido vai matá-la e que ele é um assassino de mulheres. Preocupada com o futuro destino dessa pessoa, resolve tomar para si mais essa investigação.

Para Verônica, a questão não era somente fazer justiça à Marta, proteger a mulher anônima e identificar/prender os criminosos, mas era também a oportunidade de provar o seu valor enquanto policial. Subestimada e esquecida na função de secretária, ela sentia que poderia fazer muito mais do que aquilo que lhe era imposto. Para atingir seus objetivos, ela toma caminhos por muitas vezes tortuosos, quebra inúmeras regras, mente e trai. Não consegue conciliar sua vida pessoal com sua vida profissional e vê sua estrutura familiar se deteriorar cada vez mais. Verônica é uma personagem verossímil, com defeitos e qualidades, comete erros, mas também acerta em muitas coisas, enfim, não tem nada daquela protagonista perfeitinha que muitas vezes enche o saco.

Andrea Killmore possui uma escrita ímpar. A história flui com uma facilidade impressionante e ela conduz os mistérios de forma a nos deixar cada vez mais curiosos para saber o final. Muitos assuntos polêmicos são abordados no livro, mas o principal, no meu ponto de vista, é a questão da violência doméstica (neste caso, contra a mulher). Temos vítima em negação, acreditando (ou tentando acreditar) que todo o terror vivenciado é amor, pensando que um dia o agressor vai mudar, de que as coisas serão diferentes, aquele infinito círculo vicioso de dor e sofrimento. É um livro que pode suscitar discussões interessantíssimas.

Bom dia, Verônica é um livro inesquecível, que te prende do início ao fim e que possui um final com potencial para te deixar de queixo caído, assim como fez comigo. Recomendo muito essa leitura, mas é bom que saibam que há cenas que podem ser consideradas fortes para pessoas mais sensíveis.

Espero que tenham gostado da resenha e se tiverem alguma sugestão de livro no mesmo estilo, sintam-se à vontade para deixar os nomes nos comentários! :)

Até a próxima, pessoal!


Informações gerais
Título da obra: Bom dia, Verônica
Autor(a): Andrea Killmore
Ano da edição lida: 2016
Editora: DarkSide Books
Páginas: 256
Classificação: ✯✯✯✯✯

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Resenha | Os Crimes ABC, de Agatha Christie


SINOPSE
Há um serial killer à solta, matando suas vítimas em ordem alfabética. A única pista que a polícia tem é um macabro cartão de visitas que o assassino deixa em cada cena do crime: um guia ferroviário aberto na cidade onde a morte acontece. A Inglaterra inteira está em pânico com a sucessão de crimes - A: Alice Ascher, em Andover; B: Betty Barnard, em Bexhill; C: Sir. Carmichael Clarke, em Churston - e o assassino vai ficando mais confiante a cada morte. Seu único erro é pôr à prova o orgulho de Hercule Poirot, um erro que pode ser mortal.
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História da Agatha Christie com serial killer. É sério isso, produção? :O

Eu tenho o "péssimo" hábito de comprar livros da Rainha do Crime sem nem ao menos saber detalhes do enredo (muitas vezes eu não sei absolutamente nada sobre a obra, nem se é com o Poirot, com a Miss Marple ou com qualquer outro personagem detetive). Se o livro não faz parte da minha coleção, eu compro. Foi justamente o que aconteceu com Os Crimes ABC: eu não tinha, não sabia do que se tratava, comprei e demorei séculos para ler. Se eu tivesse a mínima ideia de que seria tão bom, teria lido antes.

Nesta obra, Hercule Poirot passa a receber cartas de um suposto assassino - o ABC - com o intuito de "avisar" sobre seus crimes futuros. Embora o detetive belga tenha "ficado com a pulga atrás da orelha", o capitão Hastings e a polícia acreditavam que tudo não passava de uma brincadeira, pois esse tipo de trote era relativamente comum. Entretanto, quando o primeiro assassinato acontece conforme o planejado, toda a coisa muda de figura: um serial killer estaria à solta? Poirot se sente pessoalmente desafiado/ofendido pelo ABC, pois as cartas continham referências jocosas às suas habilidades intelectuais. Este foi, provavelmente, o maior erro do assassino.

Os crimes acontecem em ordem alfabética:
- Alice Ascher, em Andover;
- Betty Barnard, em Bexhill;
- Sir. Carmichael Clarke, em Churston - e em cada cena do crime um guia ferroviário ABC é encontrado aberto na página correspondente ao local do assassinato.

Quer saber de uma coisa? Achei genial!

Ao longo da história conhecemos um personagem crucial que vai nos fazer criar uma série de suposições que vão se mostrando imprecisas a todo o momento. É disso que gosto em romances policiais: criar teorias que, no decorrer das investigações, se mostrem totalmente erradas, fazendo com que eu precise pensar em novas possibilidades. É claro que isso frustra minhas chances de ser uma grande detetive literária algum dia, mas pelo menos o livro fica empolgante.

Provavelmente vou soar repetitiva para quem acompanha o blog com certa regularidade, mas eu gosto muito dos livros da Agatha Christie, pois mesmo os mais fraquinhos conseguem ser realmente bons. Os Crimes ABC está na minha lista de melhores livros da autora, principalmente por causa de um único elemento: tem serial killer. E é óbvio que eu já disse aqui também que gosto muito de obras com assassinato em série.

Alguns pontos dignos de nota: a trama foi muito bem construída, pois o mistério era bem interessante, a investigação foi bem trabalhada (embora eu sempre fique revoltada com alguns depoimentos ora chorosos, ora raivosos nesses livros criminais), a conclusão foi satisfatória e o Poirot esteve mais genial do que nunca (ok, talvez eu tenha exagerado um pouco, hehe). A maior "lição" do livro: numa investigação criminal é preciso considerar todas as possibilidades, analisar todos os pontos e nem sempre tomar como certo aquilo que "parece certo".

Leitura recomendadíssima!

Até a próxima, pessoal!


Informações gerais
Título da obra: Os Crimes ABC
Autor(a): Agatha Christie
Ano da edição lida: 2009
Editora: L&PM
Páginas: 256
Classificação: ✯✯✯✯✯

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Resenha | Sherlock Holmes no Japão, de Vasudev Murthy

Sinopse:

Os jornais de 1893 trazem, entre outras, as seguintes manchetes: "Rei Kamehameha III, do Havaí, declara o Dia da Restauração da Soberania", "Tensão entre China e Japão cresce por causa da Coreia", "Sacerdote sênior do Templo Kinkaku-ji é encontrado morto em circunstâncias misteriosas".

O Dr. John H. Watson recebe uma estranha carta de seu amigo, supostamente morto, e parte para Tóquio. No navio, seu calmo e distinto colega de cabine é assassinado a apenas uma porta de distância. Ao mesmo tempo, nas casas de ópio de Xangai e nos becos de Tóquio, homens sinistros fazem planos malignos. E o Professor Moriarty monitora o mundo por meio de suas redes criminosas, elaborando um mapa para  dominação mundial.

Apenas um homem pode confrontar o diabólico professor. Apenas um homem pode salvar o mundo. E esse homem sobreviveu às Cataratas de Reichenbach!

Sherlock Holmes no Japão segue a tradição de muitos livros que preenchem uma lacuna da cronologia oficial de Holmes, após Reichenbach e antes de ele ressurgir em Londres, três anos depois. No entanto, este romance sério-cômico aumenta radicalmente as apostas - com Sherlock Holmes e Dr. John H. Watson encontrando um competidor (ou competidora) à altura. Uma perseguição emocionante, que vai deixar você sem fôlego.


Para quem ainda não sabe, Sherlock Holmes é meu detetive favorito de todos os tempos. Infelizmente para mim, ainda não consegui ler todas as obras escritas por Sir Arthur Conan Doyle. Sendo assim, logo que vi este livro numa parte meio escondida da livraria, tratei de levá-lo para casa sem nem ao menos ler sua sinopse. Por mais que tenha sido escrito por outra pessoa, seria mais uma oportunidade de participar de uma aventura ao lado de tão peculiar personagem.

Nesta obra, Vasudev Murthy tenta preencher a lacuna entre a suposta morte de Sherlock Holmes ao cair das Cataratas de Reichenbach e seu retorno a Londres, três anos depois. Para ele, Holmes provavelmente foi recrutado para uma missão em terras japonesas com desdobramentos em toda a Europa. Máfia japonesa, máfia chinesa, contrabando de ópio, infiltrados e traidores nas embaixadas, o autor criou um verdadeiro clima de conspiração.

O ano é 1893. Watson recebe uma carta de seu (até então) falecido amigo solicitando ajuda e, quando vê, está embarcando num navio rumo ao Japão. Durante o percurso, coisas estranhas e preocupantes acontecem: passageiros misteriosos embarcam, bilhetes de aviso aparecem e até mesmo um crime é cometido. No meio de tanta confusão, seria possível que Holmes estivesse no navio? Quem seria ele?

O que mais gostei no livro foi que as personalidades de Sherlock Holmes e do Dr. Watson foram mantidas em sua essência. Claro que não dá para escrever exatamente da mesma forma que Conan Doyle escrevia, mas a tentativa valeu a pena. Gostei também do problema apresentado e a forma como foi concluído, mas senti certos exageros em alguns momentos.

O que notei foi que o enredo estava cheio de passagens que não acrescentaram nada à trama. Personagens e diálogos desnecessários deixaram a obra um pouco arrastada e, sinceramente, achei que esse tempo poderia ter sido melhor explorado no decorrer da obra. Nos originais, o destaque fica sempre por conta do intelecto brilhante do detetive e seus estratagemas simples, porém eficientes, para desvendar os mistérios. Neste livro a viagem teve muito mais peso do que a resolução do caso em si.

Outra coisa meio fora de lugar foi essa obsessão do Dr. Watson em criticar o posicionamento de sua "jovem editora", que clama por enredos mais objetivos para prender a atenção do leitor. Sinto muito, meu caro Watson, mas neste caso dou razão à sua editora! hehehe...

Em termos gerais, foi um bom livro (tirando o excesso de vírgulas; pelamor editoras, vamos revisar melhor esses livros, ok?). Recomendo a leitura para quem gosta de Sherlock Holmes, mas se você nunca leu um livro dele, sugiro que não comece por este. Leia os originais primeiro!

Abraços e até a próxima!


- Às vezes, história demais não é tão bom, Holmes-san - ele ponderou uma vez. - Quando somos muito orgulhosos de nosso passado, não pensamos em nosso futuro. (p.212)


Informações gerais 
Título da obra: Sherlock Holmes no Japão: 1893, aventuras dos anos perdidos do detetive mais famoso da história (precisa colocar um nome tão grande como esse?? ¬¬)
Autor(a): Vasudev Murthy como Akira Yamashita
Ano da edição lida: 2015
Editora: Vestígio
Páginas: 224
Classificação: ✯✯✯

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Resenha | Boneco de Neve, de Jo Nesbø

Sinopse:

A primeira neve do ano cai sobre Oslo num dia frio de novembro. Birte Becker chega do trabalho e elogia o marido e o filho pelo boneco de neve que fizeram no jardim. Isso os surpreende - não foi feito por nenhum deles. Ao olhar pela janela, o menino nota que a figura branca está virada para a casa, com os olhos negros voltados para a janela. Para eles.

Quando o inspetor Harry Hole recebe uma carta do autointitulado "Boneco de Neve", não desconfia do tenebroso significado dessa alcunha. Somente após descobrir alarmantes traços em comum entre vários desaparecimentos na Noruega, o policial percebe que está envolvido numa trama muito maior, capaz de testar os limites da sua sanidade. 


Boneco de Neve é o sétimo livro da série Harry Hole, mas não é necessário ler os volumes anteriores para compreender o que se passa neste. As histórias são independentes. No Brasil foram publicados do 3º ao 8º título. Dizem que esta é a obra mais ambiciosa do autor, mas não posso confirmar o fato, já que este é meu primeiro contato com seu trabalho.

Neste livro, Harry Hole, inspetor da Polícia de Oslo, inicia uma investigação sobre um provável serial killer, cuja "marca registrada" é deixar bonecos de neve próximos às casas (ou nos jardins) de suas vítimas - mulheres casadas e com filho(s).

Hole já havia recebido um bilhete meses antes, que dizia o seguinte:

Em breve virá a primeira neve. E então ele aparecerá outra vez. O boneco de neve. E, quando a neve sumir, ele terá levado alguém consigo. O que você deve se perguntar é: "Quem fez o boneco de neve? Quem faz boneco de neve? Quem deu à luz The Murri?" Porque o boneco de neve não sabe. (p.70)

Num primeiro momento, ele não dá crédito a essas palavras, mas quando surgem indícios de que o 'Boneco de Neve' é real, toda a situação é levada bem a sério. Hole é o profissional mais indicado para cuidar do caso, afinal, foi o único que fez o curso do FBI sobre serial killers. Porém, seu histórico com bebidas alcoólicas e seu comportamento um tanto quanto perturbado prejudicam sua credibilidade, mas ele não desiste. Harry Hole é, apesar de todos os seus problemas, um protagonista bem 'carismático'. Gostei dele! :)

A trama possui reviravoltas sensacionais e muitos personagens são cogitados como suspeitos. O assassino é identificável ainda na primeira metade do livro, mas mesmo assim surgem muitas dúvidas. Sobre a escrita, embora algumas partes tenham se arrastado (nada comprometedor), no geral considerei a narrativa fluida e marcante. Não foram raros os momentos em que me peguei tensa durante a leitura. Aliás, senti medo! Vários pesadelos com bonecos de neve à espreita (sim, sou facilmente impressionável, não riam! ¬¬'). O clima frio e sombrio contribuiu para toda essa perturbação.

Já li muitos romances policiais na minha vida, mas poucos prenderam minha atenção do início ao fim. Boneco de Neve conseguiu este feito, mesmo sem ter nada de extraordinário em sua composição. Com certeza lerei mais coisas do autor.

RECOMENDADO!

Obs.: A capa sensacional deste livro merece toda a nossa apreciação! Foi ela e aquela sinopse impressionante que me convenceram a comprar esta obra. E foi uma excelente aquisição! ;)

Abraços e até a próxima! 


Informações gerais 
Título da obra: Boneco de Neve
Autor(a): Jo Nesbø
Ano da edição lida: 2014
Editora: Record
Páginas: 420
Classificação no Skoob: ✯✯✯✯

sábado, 23 de maio de 2015

Resenha | Os assassinos do cartão-postal, de James Patterson e Liza Marklund

Sinopse:

Jacob Kanon, um detetive da divisão de homicídios do Departamento de Polícia de Nova York, está muito longe de casa. Em sua longa viagem, já conheceu as mais belas cidades da Europa. No entanto, não é a paisagem que o atrai. Para ele, cada café, catedral ou museu é uma pista dos assassinos de sua filha.

A filha de Jacob, Kimmy, é apenas uma peça de um doentio e intrincado quebra-cabeça. Amsterdã, Copenhague, Madri, Paris... Em toda a Europa, jovens casais são encontrados mortos com a garganta cortada. Os assassinatos não parecem ter qualquer conexão, além de cartões-postais enviados para os jornais locais dias antes da descoberta de cada crime.

Numa tentativa de salvar as próximas vítimas, Jacob vai se unir à jornalista Dessie Larsson, que acaba de receber um cartão-postal em Estocolmo. O que eles não imaginam é que os crimes têm um propósito bem diferente do que pensavam.


Pense num livro envolvente. Os assassinos do cartão-postal consegue ser muito melhor, pode acreditar em mim. Quer dizer, se você gosta de romance policial envolvendo assassinatos em série, claro.

Neste livro, jovens casais são brutalmente assassinados em belas cidades turísticas da Europa. A única coisa que une esses crimes são cartões-postais, enviados para um dos jornais locais antes da tragédia ocorrer. Após o fato ter se consumado, fotos do crime são enviadas para o mesmo lugar, a fim de completar o ritual macabro.

Jacob Kanon, detetive da divisão de homicídios do Departamento de Polícia de Nova York, trata esse caso de maneira extremamente pessoal e passional, afinal, sua filha Kimmy foi uma das primeiras vítimas dos assassinos. Ele passa por cima de uma série de regras para alcançar seu objetivo, principalmente quando percebe que as polícias locais não pretendem ouvi-lo.

Quando Dessie Larsson, uma jornalista de Estocolmo, recebe o tão famoso cartão-postal, une-se a Kanon - não sem alguma resistência - para descobrir a identidade dos criminosos.

Estes, por sua vez, são extremamente inteligentes, envolventes e seguros de si mesmos. Adquirem a confiança de suas vítimas de maneira eficiente e apagam seus rastros após os crimes de maneira mais eficiente ainda. É assustador perceber como são frios e cruéis. E suas motivações são muito bizarras.

A escrita de James Patterson é extremamente objetiva e muito convincente. Ele não perde tempo com descrições e explicações que não vão levar o leitor a lugar algum. Esta obra, especificamente, foi escrita em parceria com Liza Marklund, e posso dizer que deu muito certo. Cada um dos personagens principais - Jacob Kanon, Dessie Larsson e os assassinos - foram "dissecados" de maneira satisfatória. Conseguimos compreender a personalidade, as motivações, os conflitos internos e as emoções de cada um, além de termos a oportunidade de penetrar na mente dos criminosos e "entender" o porquê de fazerem o que faziam. Uma das coisas que mais gosto nos livros de Patterson (e seus coautores) é o fato de ele não deixar o leitor no escuro - as informações estão todas ali.

Ainda não sei se gostei do final, pois eu tinha altas expectativas em relação ao que aconteceria com os assassinos. De toda forma, não deixa de ser um excelente livro.

LIVRO RECOMENDADO! :)

Abraços e até a próxima!


Informações gerais 
Título da obra: Os assassinos do cartão-postal
Autor: James Patterson; Liza Marklund
Ano da edição lida: 2014
Editora: Arqueiro
Páginas: 304p.
Classificação no Skoob: ✯✯✯✯

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Resenha | Uma dose mortal, de Agatha Christie

Sinopse:

O grande Hercule Poirot, quem diria, também tem medo da cadeira do dentista. Depois de algumas obturações, é com alívio que ele deixa o consultório do habilidoso dr. Morley. Para a surpresa de todos, em seguida o dentista é encontrado morto. Teria sido suicídio ou um assassinato premeditado?

Ao investigar o caso, Poirot se depara também com o desaparecimento de uma das pacientes do dr. Morley: a misteriosa srta. Sainsbury Seale. O detetive se vê então envolvido num tumultuoso conflito de ideologias que abala a estabilidade da Inglaterra na sinistra atmosfera de desconfiança do início da Segunda Guerra Mundial.


Ok, vocês já sabem que eu gosto muito dos livros da Agatha Christie! ;) Juro que não vou insistir nisso, hehe...

Em Uma dose mortal tudo começa quando Henry Morley, um respeitado e excelente dentista, é encontrado morto dentro de seu próprio consultório em pleno expediente. Pelos indícios, ele havia se suicidado com um tiro e a arma estava bem ao lado do corpo. O problema é que, aparentemente, ele não tinha motivo algum para ter feito isso. Seria um assassinato? Mas quem iria querer assassinar um simples e comum dentista?

Hercule Poirot, nosso detetive belga favorito e também paciente de Morley, logo desconfia de assassinato e passa a investigar o caso, mesmo quando o inquérito conclui que foi mesmo um suicídio. Claro que todos os pacientes passam a ser suspeitos, né? Mas durante a leitura uma dúvida aparece: seria mesmo Morley o verdadeiro alvo? Ou seria Alistair Blunt, um importante financista conservador visado pelos comunistas, que estava no consultório do dentista naquele dia?

Além disso, Gladys Nevill, a secretária de Morley, havia se afastado justamente naquele dia, pois tinha recebido um telegrama informando que sua tia havia sofrido um derrame. Seria coincidência? E o desaparecimento da srta. Sainsbury Seale, também paciente do dentista, tinha algo a ver com o caso? Com base em todos esses questionamentos, a história de desenrola.

Sinceramente, acho que Agatha Christie já escreveu livros melhores. A trama em si não me envolveu e o desfecho, apesar de inesperado para mim, não me empolgou - o motivo para o crime era muito descabido. Sem contar que não gostei da maioria dos personagens (tinha o ríspido/rebelde, a mal educada, a instável, o nervosinho, uma chatice!). Apesar disso, tenho que destacar a sagacidade da autora - embora isso não seja nenhuma novidade, pois coisas que pareciam absolutamente impossíveis de se encaixar na trama foram explicadas de maneira satisfatória.

Não deixa de ser um bom livro, de toda forma. Para quem gosta do gênero, assim como eu, até vale a pena investir algumas horas em sua leitura.

Abraços e até a próxima!


Informações gerais 
Título da obra: Uma dose mortal
Autor(a): Agatha Christie
Ano da edição lida: 2011
Editora: L&PM
Páginas: 224
Classificação no Skoob: ✯✯✯

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Resenha | A Mão Misteriosa, de Agatha Christie

Sinopse:

Lymstock é uma pacata cidade no interior da Inglaterra e parece ser o lugar perfeito para Jerry Burton se recuperar de um acidente. Tudo o que ele precisa está lá: ar puro e a paz da vida rural. Mas a calma que paira no ambiente dá lugar à desconfiança quando cartas anônimas grosseiras e acusadoras começam a circular entre os habitantes. Os vizinhos passam a desconfiar uns dos outros e Lymstock se torna um lugar sombrio. O clima de suspeita e terror cresce quando um dos destinatários comete suicídio.

Por sorte Miss Marple está na região: ela parece ser a única pessoa capaz de resolver este fascinante mistério, considerado por Agatha Christie uma de suas melhores histórias.


Também não é pra tanto, né, dona Agatha Christie? A Mão Misteriosa é, de fato, uma boa história, mas não estou convencida de que é uma de suas melhores obras. Vamos aos comentários...

Jerry Burton, nosso narrador, havia sofrido um acidente e, para se recuperar adequadamente do infortúnio, segundo seu médico, precisava morar temporariamente num lugar tranquilo, respirar ar puro e ocupar-se de frivolidades e escândalos comuns a locais afastados dos grandes centros urbanos. Por este motivo, muda-se para Lymstock, uma cidade do interior da Inglaterra, com sua irmã Joanna, que fica responsável pelos seus cuidados.

Entretanto, logo após sua chegada, cartas anônimas começam a ser entregues aos moradores do lugar. São extremamente ofensivas, mas as acusações são aleatórias e falsas. As palavras que compõem a carta foram retiradas de outros materiais (livros, revistas, não se sabe ao certo) e o envelope é datilografado. Desta forma, não há como investigar a origem das mesmas.

O problema se agrava quando um dos destinatários comete suicídio após receber uma dessas entregas. A partir daí, a polícia assume o caso e todos ficam temerosos ao tentar adivinhar o próximo passo do autor misterioso. A trama só é concluída - e outras descobertas são feitas - quando Miss Marple entra em cena.

Confesso que nunca fui muito fã da Miss Marple, mas hoje vejo que era bobagem minha. Às vezes até prefiro ela ao Poirot. Não sei, acho que a inteligência dele - tão escancarada - me intimida um pouco. Um dos problemas deste livro, inclusive, é o fato de que Miss Marple aparece bem no final da leitura e participa muito pouco. Fiquei chateada! =/

A Mão Misteriosa possui um suspense pra lá de interessante. A autora nos induz a procurar respostas no lugar errado, o que fez com que eu nem desconfiasse da identidade do autor misterioso. Ao longo da trama algumas dicas bem sutis são indicadas, mas não me atentei a elas e acabei conduzindo minha própria investigação por um caminho totalmente equivocado.

Acredito que o fato de eu ter me apegado bastante ao Jerry (narrador) e à Joanna (sua irmã) me ajudou a gostar da história.

Me decepcionei um pouco com o desfecho, pois eu esperava algo mais complexo, até mesmo sórdido, dado o conteúdo das cartas. No fim, tudo era muito simples. Isso não tira, em nenhum momento, o mérito do livro. Na realidade, o que eu mais gosto nos livros da Agatha Christie é justamente a forma como ela conduz a história, como ela apresenta os fatos para o leitor. As coisas parecem simplesmente não se encaixar, mas no final você sempre fica com aquela sensação de que a resposta estava bem na sua cara e que você deveria ter pensado naquilo antes. Mesmo quando a resolução é boba, você sempre acaba sendo surpreendido de uma forma ou de outra. E é por esse e outros motivos que ela é considerada a Rainha do Crime, título mais do que justo. Na minha modesta opinião, ela é e sempre será a melhor autora de ficção policial de todos os tempos. ^^

Livro recomendado, claro! Dona Agatha Christie é genial e ponto final! :)

[...] Há uma tendência grande demais de se atribuir a Deus os males cometidos pelo homem em seu próprio livre arbítrio. Posso aceitar que seja o Diabo. Deus não precisa realmente nos castigar [...]. Já estamos ocupados demais castigando a nós mesmos. (p.87)


Abraços e até a próxima!

Informações gerais 
Título da obra: A Mão Misteriosa
Autor: Agatha Christie
Ano da edição lida: 2011
Editora: L&PM
Páginas: 224
Classificação: ✯✯✯✯