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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Resenha | Estopinha: a autobiografia da vira-lata mais amada do Brasil, de Alexandre Rossi



SINOPSE
Ela é atriz, blogueira, bagunceira e está sempre na TV. Dona de um carisma sem igual, Estopinha Rossi é a vira-lata mais querida do Brasil.
Com quase 3 milhões de seguidores no Facebook, é porta-voz dos cachorros e tem como missão ensinar aos adultos o que os cãezinhos querem de verdade: um lar quentinho, petiscos gostosos e, principalmente, o amor dos humanos. E ela conseguiu tudo isso! Recolhida das ruas, foi adotada, devolvida por mau comportamento, até encontrar uma família que a ama do jeito que ela é.
Com Alexandre Rossi, adestrador e especialista em comportamento animal, Estopinha ganhou voz e hoje dedica-se a mostrar ao mundo a importância da adoção animal e a felicidade que é tem um bichinho na família.
Conheça a história da It Dog Estopinha e todos os seus segredos, do tufinho ao rabico! Você certamente vai se apaixonar por essa vira-lata.
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Já tem um tempo que sou muito fã da Estopinha, do Barthô e de toda a família Rossi. Adoro acompanhar tudo o que eles publicam no Facebook. Fiquei especialmente interessada por esse assunto quando adotei meu primeiro cachorro, em julho de 2015; desde então sempre fico ligada nas dicas para cuidar melhor dos nossos animaizinhos. Quando soube desse livro, fiquei muito ansiosa para lê-lo. Como vocês viram no book haul de janeiro, ganhei essa belezinha de aniversário e imediatamente comecei a leitura.

Como o próprio título indica, nesse livro nós acompanhamos toda a trajetória da Estopinha desde o momento em que é encontrada nas ruas. A história dela é muito comovente, principalmente por causa dos seguintes fatos: ela foi devolvida no dia seguinte à adoção (a primeira delas, hehe), pois era muito agitada; pegou cinomose (uma doença dificílima de curar), sarna; ficou no abrigo até que fosse adotada pelo Alexandre Rossi. Mas mesmo depois dessa adoção as coisas não foram fáceis, pois ela tem várias doencinhas que exigem muito cuidado e vários exames de rotina. Felizmente ela tem uma família que a ama e respeita, portanto, sabemos que está sendo bem cuidada.

No livro também temos um capítulo dedicado ao Barthô e à Miah. A diagramação é muito confortável, há várias fotos no livro, dicas em destaque, ou seja, além de proporcionar entretenimento, também possibilita adquirir conhecimento sobre como cuidar melhor dos nossos amigos peludos.

A principal mensagem que esse livro (e todas as outras redes sociais utilizadas pela família Rossi para conversar com a gente) passa é que devemos amar e cuidar dos nossos bichinhos, tratá-los com respeito. Foi depois de conhecer essa turminha que comecei o adestramento do meu cachorro, determinada a fazer o possível (e o impossível) para que ele tenha a melhor vida possível (e isso se aplica à minha nova cachorrinha também, adotada agora em janeiro).

Que todos vocês possam se encantar com a Estopinha assim como eu me encantei! ♥

Até a próxima!
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INFORMAÇÕES GERAIS:
Título da obra: Estopinha: a autobiografia da vira-lata mais amada do Brasil
Autor(a): Alexandre Rossi
Ano da edição lida: 2017
Editora: Planeta do Brasil
Páginas: 160
Classificação: 
✯✯✯✯✯ ♥

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Top 5 | Livros que quero ler em 2018 (gêneros literários variados)



Olá, pessoal!
Tudo bem com vocês?

Hoje decidi compartilhar cinco livros que pretendo ler em 2018, cada um de um gênero literário diferente. Não listei livro de terror, pois já fiz um post com os cinco livros do Stephen King que pretendo ler ainda esse ano; além disso, no ano passado fiz uma lista específica com livros de terror e decidi variar um pouco. Vamos aos gêneros/livros?
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1. FICÇÃO CIENTÍFICA

AS BRIGADAS FANTASMA,
de John Scalzi

SINOPSE: Na continuação do livro Guerra do Velho, a tenente Jane Sagan descobre uma armadilha sendo tramada contra a humanidade e um plano para a subjugação e a erradicação de sua espécie inteira. É um genocídio planejado detalhadamente com base na cooperação, até então inédita, entre três raças. E um ser humano. Para lidar com essa trama, as Brigadas Fantasma, com soldados que já nascem com o propósito de proteger a raça humana, precisam entrar em ação. Passando por conflitos de identidade, mas com um forte senso de companheirismo, esses soldados serão liderados por Jane Sagan, que precisa impedir uma guerra entre espécies enquanto lida com um fato preocupante: em meio a suas fileiras, pode haver um traidor. Com a escrita dinâmica, leve e inteligente característica de John Scalzi, As Brigadas Fantasma discute questões éticas e de identidade enquanto envolve o leitor na história de uma grande conspiração política e bélica.



2. FANTASIA

O SENHOR DOS ANÉIS: A SOCIEDADE DO ANEL,
de J. R. R. Tolkien

SINOPSE: Numa cidadezinha indolente do Condado, um jovem hobbit é encarregado de uma imensa tarefa. Deve empreender uma perigosa viagem através da Terra-Média até as Fendas da Perdição, e lá destruir o Anel do Poder - a única coisa que impede o domínio maléfico do Senhor do Escuro.



3. THRILLER

AS SOBREVIVENTES,
de Riley Sager

SINOPSE: Há dez anos, a estudante universitária Quincy Carpenter viajou com seus melhores amigos e retornou sozinha, foi a única sobrevivente de um crime terrível. Num piscar de olhos, ela se viu pertencendo a um grupo do qual ninguém quer fazer parte: um grupo de garotas sobreviventes com histórias similares. Lisa, que perdeu nove amigas esfaqueadas na universidade; Sam, que enfrentou um assassino no hotel onde trabalhava; e agora Quincy, que correu sangrando pelos bosques para escapar do homem a quem ela se refere apenas como Ele. As três jovens se esforçam para afastar seus pesadelos e, com isso, permanecem longe uma da outra; apesar das tentativas da mídia, elas nunca se encontraram.
Um bloqueio na memória de Quincy não permite que ela se lembre dos acontecimentos daquela noite, e por causa disso a jovem seguiu em frente: é uma blogueira culinária de sucesso, tem um namorado amoroso e mantém uma forte amizade com Coop, o policial que salvou sua vida naquela noite. Até que um dia, Lisa, a primeira sobrevivente, é encontrada morta na banheira de sua casa com os pulsos cortados; e Sam, a outra garota, surge na porta de Quincy determinada a fazê-la reviver o passado, o que provocará consequências cada vez mais assustadoras. O que Sam realmente procura na história de vida de Quincy?
Quando novos detalhes sobre a morte de Lisa vem à tona, Quincy percebe que precisa se lembrar do que aconteceu naquela noite traumática se quiser as respostas para as verdades e mentiras de Sam, esquivar-se da polícia e dos repórteres insaciáveis. Mas recuperar a memória pode revelar muito mais do que ela gostaria.



4. BIOGRAFIA

CHARLES MANSON, A BIOGRAFIA,
de Jeff Guinn

SINOPSE: Manson não é simplesmente uma biografia de um assassino e um líder de culto. É uma história da cultura norte-americana da Grande Depressão no final do século XX. Um estudo fascinante de abuso de poder, ambição, avareza, celebriphilia (um desejo intenso e patológico para se relacionar com uma celebridade), controle mental, mesquinharia, narcóticos, racismo e sexo. É a história dos ex-presidentes Richard Nixon e Lyndon Johnson, da cultura lisérgica e de uma nação em processo de degradação, de Martin Luther King, do Vietnã, do movimento ativista estudantil da nova esquerda Students for a Democratic Society, dos Panteras Negras.



5. DISTOPIA

1984,
de George Orwell

SINOPSE: 1984 é uma das obras mais influentes do século XX, um inquestionável clássico moderno. Publicado em 1949, quando o ano de 1984 pertencia a um futuro relativamente distante, tem como herói o angustiado Winston Smith, refém de um mundo feito de opressão absoluta. Em Oceânia, ter uma mente livre é considerado crime gravíssimo, pois o Grande Irmão (Big Brother), líder simbólico do Partido que controla a tudo e a todos, "está de olho em você".
No íntimo, porém, Winston se rebela contra a sociedade totalitária na qual vive: em seu anseio por verdade e liberdade, ele arrisca a vida ao se envolver amorosamente com uma colega de trabalho, Júlia, e com uma organização revolucionária secreta.
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Não estou muito contente com a sinopse de Charles Manson, a biografia, mas essa foi a mais resumida que encontrei. Além disso, há bastante divergência em relação ao nome da obra, então copiei o que está na ficha catalográfica.

Dos cinco livros listados, só não tenho As Brigadas Fantasma. Se eu não ganhar esse livro no meu aniversário (que é daqui a uma semana), eu mesma me darei de presente kkkkkkkk. É uma das leituras que estou mais empolgada para fazer, pois amei Guerra do Velho.

1984 já apareceu nas minhas metas de outros anos e sempre fracassei na tentativa de lê-lo (por isso que ele tá aqui de novo kkkkk). De todos, esse provavelmente será meu maior desafio.

Espero que tenham gostado!

Até a próxima!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Resenha | Confissões do Crematório, de Caitlin Doughty



SINOPSE
Ainda jovem, Caitlin conseguiu emprego em um crematório na Califórnia e aprendeu muito mais do que imaginava barbeando cadáveres e preparando corpos para a incineração. A exposição constante à morte mudou completamente sua forma de encarar a vida e a levou a escrever um livro diferente de tudo o que você já leu sobre o assunto.
Confissões do Crematório reúne histórias reais do dia-a-dia de uma casa funerária, inúmeras curiosidades e fatos filosóficos, históricos e mitológicos. Tudo, é claro, com uma boa dose de humor. Enquanto varre as cinzas das máquinas de incineração ou explica com o que um crânio em chamas se parece, ela desmistifica a morte para si e para seus leitores.
O livro de Caitlin – criadora da websérie Ask a Mortician – levanta a cortina preta que nos separa dos bastidores dos funerais e nos faz refletir sobre a vida e a morte de maneira inteligente, honesta e despretensiosa – exatamente como deve ser. Como a autora ressalta na nota que abre o livro, “a ignorância não é uma bênção, é apenas uma forma profunda de terror”.
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Os seres humanos não são os favoritos da natureza. Somos apenas um de uma variedade de espécies nas quais a natureza exerce sua força de forma indiscriminada.
(frase de Camille Paglia, p.143)

Assim que esse livro chegou em casa, no último dia de novembro (Black Friday, sua linda!), resolvi lê-lo imediatamente! Não sei se foi a premissa, o título instigante ou a capa maravilhosa (ou a combinação das três coisas), mas algo me dizia que essa seria uma das melhores leituras que eu poderia fazer em 2016. E eu estava completamente certa!

Confissões do Crematório é um livro para quem planeja morrer um dia (tá na capa), mas mesmo que você não planeje nada, isso vai acontecer de qualquer jeito. Resumindo: é um livro para todos nós! A autora nos conta sua experiência como funcionária da "indústria da morte", primeiro como operadora de fornos crematórios e depois como motorista de van para transporte de corpos (além de barbeadora de cadáveres, maquiadora e o que mais precisar fazer). Enquanto relata o dia a dia de uma agência funerária, lança mão de fatos históricos, filosóficos e mitológicos para exemplificar como diferentes sociedades/culturas entendem a morte. As críticas ao modo como nós tentamos de todas as formas esconder os efeitos da morte - e a própria morte - através do embalsamamento, maquiagem etc., ao invés de naturalizá-los, me deram no que pensar.

A maioria das pessoas evita falar sobre morte, sentem relutância em tocar nesse assunto. É compreensível, pois tentam escondê-la de nós desde crianças. A autora conta a história de um peixinho que morreu quando ela era pequena, mas que imediatamente foi substituído por um igual pelo seu pai, para que ela não percebesse o que tinha acontecido. Casos como esse devem acontecer com frequência; quando a pessoa é finalmente exposta à morte, o baque é muito grande e o que resulta disso é trauma, medo e por aí vai. As intenções por trás de toda essa proteção são as melhores possíveis (eu acho) mas, no fim, isso não resolve muita coisa.

Eu ainda não sei lidar muito bem com a morte, de vez em quando tenho uns surtos e fico pensando que cada dia que acordo é um a menos na minha vida. Pensar dessa forma não é nem um pouco produtivo e, principalmente, saudável, mas ler esse livro já me ajudou bastante. A ideia dele não é banalizar a morte, e sim naturalizá-la. Aprender a lidar com ela nos dá a possibilidade de aproveitar muito mais a nossa vida, os nossos preciosos dias.

Caitlin Doughty escreve sobre esse tema com leveza e humor, o que torna a leitura muito fluida e tranquila. Passei bons momentos lendo esse livro, recomendo muito!

Até a próxima, pessoal!


Informações gerais
Título da obra: Confissões do Crematório
Autor(a): Caitlin Doughty
Ano da edição lida: 2016
Editora: DarkSide Books
Páginas: 260
Classificação: ✯✯✯✯✯

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Resenha | A estrela que nunca vai se apagar, de Esther Earl (com Lori e Wayne Earl)

 
SINOPSE
A estrela que nunca vai se apagar conta a história de Esther Grace Earl, diagnosticada com câncer da tireoide aos 12 anos. A obra é uma espécie de diário da jovem, com ilustrações, fotos de seu arquivo pessoal, textos publicados na internet, bate-papos com os inúmeros amigos que fez online e reproduções de cartas escritas em datas comemorativas familiares. A jovem perdeu a batalha contra a doença, mas deixou um legado de otimismo e celebração ao amor. Atualmente, sua mãe, Lori Earl, preside a instituição sem fins lucrativos This Star Won't Go Out (tswgo.org), que apoia pacientes e famílias que lutam contra o câncer.
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Só posso dizer uma coisa: encerrei minhas leituras de 2015 com chave de ouro! ♥

Esther Grace Earl faleceu em 25 de agosto de 2010, pouco tempo depois de completar 16 anos. Descobriu o câncer da tireoide em 2006, aos 12 anos, enquanto ainda morava na França. Durante todo o tratamento, ela sabia que ia morrer por causa da doença, mas nem mesmo isso abalou o seu otimismo, o amor que ela sentia pelas pessoas e a sua vontade de fazer a diferença no mundo.

O livro contém diversas passagens de seu diário pessoal e essa leitura foi uma experiência muito marcante para mim. Ela não queria se fazer de vítima, mas se magoava com muita facilidade, afinal, estava muito sensível. Ela não queria dar trabalho para as pessoas ao seu redor, mas reconhecia suas limitações e tentava sempre dar o melhor de si. Relatava problemas comuns a pré-adolescentes e falava sobre morte com muita naturalidade. Era sincero e real! Acredito que o papel de seus familiares, sobretudo seus pais, e amigos foi muito importante para que ela aproveitasse da melhor forma possível todos os seus dias.

Através da Nerdfighteria, Esther conheceu a grande parte de seus amigos virtuais. Ela fazia parte de um grupo chamado Catitude, e ali todos os membros se ajudavam mutuamente, servindo como fonte de conforto para qualquer um que precisasse. No livro há depoimentos de alguns membros do grupo, todos ressaltando a facilidade com que Esther amava e acolhia as pessoas.

Esther conheceu John Green em 2009, numa conferência sobre Harry Potter, e se tornaram muito amigos. Embora ela o tenha inspirado a escrever A culpa é das estrelas (resenha AQUI), Hazel Grace - a protagonista - NÃO É Esther. A introdução de A estrela que nunca vai se apagar foi escrita por ele e me comoveu demais.

Para concluir: mesmo com câncer e seus infinitos efeitos colaterais e mesmo sabendo que isso a mataria mais cedo ou mais tarde, Esther era uma garota sincera, criativa, possuía um humor inteligente e irônico e, principalmente, tinha uma facilidade incrível para amar e demonstrar esse amor. As cartinhas que ela escrevia para os pais são simplesmente sensacionais. Páginas e mais páginas de amor sincero. Ela nos mostra que é possível viver - no sentido mais completo da palavra -, mesmo quando as situações são adversas.

Gostei demais do livro, mesmo tendo um olho nas minhas lágrimas! hehe... ♥

Canal da Esther no YouTube: https://www.youtube.com/user/cookie4monster4

Até a próxima, pessoal!


Informações gerais
Título da obra: A estrela que nunca vai se apagar: a vida e as palavras de Esther Grace Earl
Autor(a): Esther Earl (com Lori e Wayne Earl)
Ano da edição lida: 2014
Editora: Intrínseca
Páginas: 448
Classificação: ✯✯✯✯ ♥

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Resenha | Casagrande e seus demônios, de Walter Casagrande Júnior e Gilvan Ribeiro

Sinopse:

Não faltam passagens marcantes na vida de Casagrande, um dos maiores ídolos do futebol brasileiro. Craque, artilheiro, campeão, ele sempre buscou algo a mais. Foi um dos articuladores da Democracia Corintiana, arrecadou fundos para a criação do Partido dos Trabalhadores e foi fichado pelo DOPS. Usou drogas na adolescência, na juventude e, depois que aposentou as chuteiras, ficou tão dependente que acabou sendo internado à força numa clínica de reabilitação. Nos campos, foi obrigado a se dopar quando jogou na Europa. Deu a volta por cima e, sem esconder seus demônios – e nem conseguir se livrar deles –, tornou-se um dos mais respeitados comentaristas esportivos da televisão.


Desde que este livro foi lançado, em 2013, tive muita curiosidade em lê-lo, principalmente por abordar dependência química, que é um tema que me interessa muito.

O livro traz imagens muito interessantes e cuidadosamente selecionadas, pois é perceptível a relação que elas possuem com o conteúdo abordado por cada capítulo. A estratégia de começar a narrativa pela parte mais dramática de sua vida funcionou muito bem. Fiquei realmente impressionada com seus relatos sobre suas overdoses, sobre os demônios que o perseguiam após o uso de drogas e sobre sua experiência com a internação forçada. Há muitas passagens escritas com as próprias palavras ditas por Casagrande, o que faz com que nos tornemos muito próximos dele, quase como confidentes mesmo.

Percebe-se, ao longo do livro, que o texto é sincero. Casagrande em nenhum momento quis fugir da responsabilidade de suas escolhas, ou seja, não atribui sua dependência às tão famosas más companhias. Para ele, durante sua juventude, viver daquele jeito parecia a melhor forma de curtir a vida. Inspirava-se em seus ídolos que faleceram tão precocemente. O drama veio posteriormente, após sua aposentadoria. E aí a coisa desandou de vez...

Além dos relatos sobre uso de drogas, uma coisa que me chamou bastante a atenção durante a leitura foi sua participação política. Ele era realmente muito engajado, principalmente em relação à Democracia Corintiana e na luta contra a Ditadura Militar. Sua relação de amizade com Sócrates também foi muito bem explorada nesta obra. Emocionante mesmo foi o texto (declaração de amor) que ele escreveu por ocasião da morte do amigo, em 2011, mais uma de tantas vítimas do álcool. Segue um trecho:

Compartilhávamos também da dependência química: tive problemas com drogas e ele, com álcool. Pagamos caro por isso. Sócrates não sobreviveu, mas parte em paz. Você deixou uma história fantástica, parceiro, e ajudou a tornar o mundo um pouco melhor. Tínhamos uma estreita aliança... Vou jogar meu anel fora. Fazer o que com um anel pela metade? – p.146

Quanto à sua internação forçada – determinada pelo seu filho mais velho e pela sua mãe –, é interessante perceber que ele realmente não queria aquilo, mesmo sabendo que estava realmente bem mal. A persistência da família, mesmo diante de tamanho sofrimento, é realmente louvável. É muito bom saber que Casagrande tem consciência de que cada dia é uma nova batalha e de que ele deve se policiar sempre. Gostando ou não dele, esta é uma leitura que vale a pena por muitos motivos, principalmente se levarmos em consideração a sua superação. Relatos motivacionais sobre o assunto devem ser divulgados para o maior número possível de pessoas.

LIVRO RECOMENDADO!


Não me orgulho de tudo o que fiz, mas não me arrependo de quase nada. E admito: a sensação predominante é de paz comigo mesmo. O ser humano é complexo, equilibra-se entre a dor e o prazer, numa linha tênue e perigosa. Eu me sentiria mal se tivesse deixado de fazer o que quis, jamais por dar cabeçadas, uma aqui e outra ali, por tropeçar, cair e me machucar. Sobretudo porque sempre consegui me levantar e seguir em frente.
- Walter Casagrande Júnior


Informações gerais 
Título da obra: Casagrande e seus demônios
Autor: Walter Casagrande Júnior; Gilvan Ribeiro
Ano da edição lida: 2013
Editora: Globo Livros
Páginas: 248
Classificação no Skoob: ✯✯✯✯

domingo, 20 de abril de 2014

Resenha | Saramago - Biografia, de João Marques Lopes

Sinopse:

Esta é a primeira biografia de um dos escritores mais importantes da história da literatura. Nela podemos acompanhar a vida de José Saramago, desde o seu nascimento na aldeia portuguesa da Azinhaga, Golegã, até sua mudança para Lanzarote, Espanha. E descobrimos toda a sua obra, desde as crônicas de A Capital e do Jornal do Fundão, até o mais recente livro, Caim.

Saramago passou a se dedicar definitivamente à escrita ficcional aos 53 anos e, em 1980, lança Levantado do Chão. Com esse romance surge o que viria a ser conhecido como o "estilo saramaguiano": o narrador "oraliza" a escrita como se estivesse de viva voz, como numa roda de amigos, e desrespeita ostensivamente as regras sintáticas e a pontuação.


Nunca li nada do Saramago, confesso. Queria começar por Ensaio sobre a cegueira, mas eu ainda não tinha este livro em minha estante (problema resolvido: ganhei de presente de aniversário em janeiro). Mesmo de posse do livro tão almejado, ainda não me sinto confiante para me aventurar no "estilo saramaguiano" de escrita. Sou uma pessoa extremamente convencional neste aspecto, portanto, ler uma obra deste autor livre de preconceitos será uma tarefa bem árdua! =/

Optei, portanto, por ler a biografia deste autor tão aclamado pela crítica, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1998. O único autor de língua portuguesa, até o presente momento, a alcançar este feito.

Fiquei relativamente empolgada com a leitura. Em alguns momentos, o texto torna-se muito cansativo, pois o autor fica muito preso aos fatos políticos da época, utilizando-se de parágrafos e mais parágrafos para explicar uma situação que poderia ter sido reduzida em cinco linhas. É claro que essas informações são necessárias para compreendermos algumas atitudes de Saramago e das pessoas de seu círculo, mas muitas vezes a essência do livro se perdia no meio de tantas explicações.

A parte mais interessante do livro, na minha humilde opinião, era quando o autor se prendia nas explicações sobre as obras de Saramago. Sem dúvidas, a polêmica envolvendo O Evangelho segundo Jesus Cristo foi a melhor parte da biografia. Fico impressionada com o tanto que as pessoas dramatizam quando o assunto é religião. Lembro até hoje do barulho feito por causa da publicação d'O Código Da Vinci, do magnífico Dan Brown. Ei, calma lá, minha gente boa! São só livros! São histórias como tantas outras! Cada um lê o que quer, pelo motivo que quiser!

Alguns apontamentos que Saramago fez em seus Cadernos de Lanzarote são muito interessantes (Marques Lopes ia pincelando trechos desta obra pela biografia - tudo contextualizado, claro), dos quais destaco o seguinte:


[...] Chegado agora a estes dias, os meus e os do Mundo, vejo-me diante de duas possibilidades: ou a razão, no homem, não faz senão dormir e engendrar monstros, ou o homem, sendo indubitavelmente um animal entre os animais, é, também, o mais irracional entre todos eles. 
(Cadernos de Lanzarote, 3 de maio de 1993).


Não dá pra não refletir, certo? Eu, pelo menos, fiquei vários e vários minutos pensando sobre os escritos dele e cheguei à conclusão de que Saramago tinha uma visão e tanto!

Enfim, após concluir a leitura desta biografia, fiquei mais empolgada ainda para ler um livro do autor. Acredito que lerei Ensaio sobre a cegueira ainda neste semestre. Se isso realmente acontecer, faço uma resenha ao terminar a leitura.

Há uma curiosidade sobre o nome de Saramago nesta obra, mas não contarei para não estragar a surpresa! hehehe :)

RECOMENDO O LIVRO!

Olho de cima da ribanceira a corrente que mal se move, a água quase estagnada, e absurdamente imagino que tudo voltaria a ser o que foi se nela pudesse voltar a mergulhar a minha nudez da infância, se pudesse retomar nas mãos que tenho hoje a longa e úmida vara ou os sonoros remos de antanho, impelir, sobre a lisa pele da água, o barco rústico que conduziu até às fronteiras do sonho um certo ser que flui e deixei encalhado algures no tempo.
- José Saramago em As pequenas memórias

Abraços e até a próxima!