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domingo, 30 de março de 2014

Resenha | Terrores da noite, de Martin Cruz Smith

Sinopse:

O voo silencioso. A mordida. O sangue sugado. A peste e seu mensageiro alado: o Morcego-Vampiro. "Sua voz é um murmúrio, suas asas largas e etéreas, os dentes afiados como facas e eles têm um apetite insaciável. Terão de chegar logo à tribo hopi, porque a opção - viver ou morrer - deve ser feita antes do anoitecer". Um extraordinário relato de horror e magia, inspirado em lendas indígenas. Um velho índio hopi desperta do mundo dos mortos, na forma de devastadores morcegos, para vingar as humilhações sofridas pelo seu povo.


Inicialmente, peço desculpas pela imagem não tão boa da capa do livro, mas foi uma das melhores que achei. Comecei a ler esta obra há alguns consideráveis anos, mas por uma série de motivos que agora não me recordo, abandonei a leitura. Sei, entretanto, que a história havia me deixado bem impressionada. Dia desses, navegando por sebos online, lembrei-me subitamente deste livro e, após muitas buscas, finalmente o adquiri.

Após concluir a leitura nesta última semana de março, posso entender porque fiquei tão impressionada anteriormente. A carnificina é uma coisa bem marcante na obra. Em termos gerais, gostei do livro, embora eu estivesse esperando um pouco mais do final. Mas vamos às minhas impressões de leitura...

No decorrer das páginas há muita tensão, suspense, terror (de certa forma) e, claro, carnificina (conforme já mencionado), mas muitas vezes o autor se focava em descrições que, ao meu ver, eram um tanto desnecessárias, tornando os capítulos extensos e cansativos. Eu ansiava pelas ações! Não acho que as descrições deveriam ser omitidas, afinal, precisamos entender o contexto em que a história se passa, necessitamos conhecer os antecedentes históricos que, de certa maneira, justificam algumas ações dos personagens, mas não consigo ver a necessidade de se estender tanto nessas explicações. Tive vontade de desistir da leitura em alguns momentos.

A trama se passa na região desértica dos Estados Unidos e a maioria dos personagens é indígena. Isso é muito enriquecedor sob o ponto de vista cultural. Grande parte dos livros que leio se passa nas cidades mais conhecidas e ricas dos Estados Unidos ou na Inglaterra, portanto, a mudança de cenário foi muito bem-vinda. Além disso, como Smith é um profundo conhecedor dessa área estadunidense (os desertos), as descrições dos locais e as percepções sensoriais dos personagens me pareceram bem reais, como se eu estivesse bem ali com eles. Alguns costumes indígenas também são relatados, tais como a Dança da Serpente, apresentando aos leitores certas particularidades dessa cultura.

O embate cultural, político e econômico que ocorre entre as tribos navajo e hopi é um ponto positivo do livro. Enquanto os primeiros caminhavam em direção à modernização, investiam em negócios milionários e se tornavam cada vez mais como os "brancos", os hopis mantinham-se aferrados às suas origens e crenças e eram contrários às atitudes dos navajos. É instigante acompanhar os debates entre Jovem Duran, delegado hopi, e Walker Chee, o líder navajo. Diante do problema com os morcegos-vampiros, essas diferenças ficam muito mais do que evidentes.

É interessante perceber que nenhum dos personagens é perfeito. Nada é certo. A história não está fechada.

Confesso que, embora detestáveis, os morcegos-vampiros são realmente fascinantes. A forma "cruel" com que pensam e agem em relação ao Alimento (sim, com 'a' maiúsculo) é o clímax do livro, na minha humilde opinião. A frieza empregada no ato de caçar é surpreendente!

O grande problema da obra, ao meu ver, foi o desfecho, como já mencionei anteriormente. Conforme a sinopse já nos adianta, um velho índio hopi desperta do mundo dos mortos, na forma de devastadores morcegos, para vingar as humilhações sofridas pelo seu povo. Acontece que essa vingança, que é o mote do livro, não foi muito bem explorada pelo autor. Ele solta uma informação aqui, outra ali, mas faltou o arremate, ou seja, interligar de maneira incisiva todos os fatores que motivaram essa revolta e propiciar ao leitor uma conclusão mais elaborada e justificada. Os ataques dos vampiros tiveram um papel muito mais contundente do que os motivos para que eles acontecessem. No meu entendimento, faltou consistência na trama.

Há um filme sobre este livro, com o mesmo nome, lançado em 1979. Após assisti-lo, volto para complementar este texto.

Para resumir, apesar dos problemas que apresenta, é um livro muito bom e instigante. Vai causar muitos momentos de tensão e suspense. RECOMENDO A LEITURA!

Abraços e até a próxima!

sábado, 16 de novembro de 2013

Resenha | O Parque dos Dinossauros, de Michael Crichton


SINOPSE
Numa remota ilha da Costa Rica, a multinacional de engenharia genética InGen prepara-se para assombrar o mundo com o mais fantástico parque turístico que a humanidade já conheceu. Recorrendo a avançadíssimas técnicas de reconstituição de DNA, sua equipe de cientistas conseguiu nada mais, nada menos do que produzir... dinossauros vivos! No entanto, quando o paleontólogo Alan Grant chega a Isla Nublar, encontra evidências de que o projeto não é tão perfeito quanto se imaginava. Há algo de muito estranho acontecendo com as gigantescas criaturas pré-históricas... Tudo indica que estão prestes a se tornar uma ameaça que nem mesmo os supercomputadores da InGen conseguirão evitar!
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É fato que eu sempre gostei muito de dinossauros, seres pré-históricos tão misteriosos e fantásticos que sempre habitavam minha mente quando eu era criança (na verdade, isso acontece até hoje =D). Este é um dos motivos pelos quais o filme de mesmo nome sempre foi um dos meus favoritos de todos os tempos. Quando soube que ele havia sido baseado neste livro, fui correndo atrás de um exemplar. Só consegui em sebo, pois estava esgotado em todas as livrarias. Veio em perfeitas condições e comecei a lê-lo assim que chegou.

O livro é SENSACIONAL! O melhor livro que li em 2013, sem sombra de dúvidas. Michael Crichton foi extremamente feliz na escolha e na condução do tema, na ambientação da história, na caracterização dos personagens e na descrição dos dinossauros.

O livro é bem mais completo do que o filme (nenhuma novidade até aí) e o final é diferente, o que causou certa surpresa em mim, pois eu esperava que o livro terminasse como o filme. Após a leitura, no entanto, percebi que o encerramento se deu de maneira muito coerente com o andamento da história, portanto, não tenho do que reclamar.

Os dinossauros foram muito bem idealizados e descritos - parecia que estávamos vendo cada uma daquelas criaturas. O tour pelo parque foi riquíssimo de detalhes e informações, como se estivéssemos, de fato, fazendo aquele passeio junto com os personagens. Cada uma das pessoas ali presentes teve a sua importância para a história (nada mais justo, afinal). As personalidades dos personagens foram tão bem construídas que despertavam as mais variadas emoções, boas e ruins. O exemplo clássico é do velho Hammond, o idealizador do parque: ao mesmo tempo em que me comovia com sua ingenuidade e com seus sonhos, tinha vontade de gritar com ele pela teimosia, por não enxergar o óbvio: a ameaça que os seus preciosos animais representavam.

As descrições das instalações do parque e dos animais são na medida, ou seja, não há informações desnecessárias. Os diálogos mais técnicos e científicos não são de outro mundo, ou seja, são compreensíveis (é claro que não conseguimos entender tudo com perfeição, mas o suficiente para acompanhar a história sem deixar lacunas) e, claro, há ação, aventura e situações menos agitadas na medida certa. É um livro muito equilibrado. Gostei tanto da escrita do autor que com certeza lerei mais coisas dele.

A minha edição é de 1996, da Editora Best Seller. A diagramação é muito boa e a capa é muito bonita (é a mesma da imagem).

Livro altamente recomendado!

Não temos poder para destruir o planeta, nem para salvá-lo. Mas talvez tenhamos o poder de salvar a nós mesmos. (Ian Malcolm, p.437)

Até a próxima, pessoal!